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Projeto Verão 2024: especialista orienta sobre medicamentos para emagrecimento e outras estratégias



Nesta época do ano, aumenta a procura por dietas milagrosas e outras medidas que colocam em risco a vida de pessoas em busca de resultados rápidos


A menos de dois meses do início do verão, começa agora a corrida contra o tempo perdido. Para muitas pessoas começou a contagem regressiva para chegar às férias de fim de ano com o peso ideal. Já se sabe, no entanto, que a perda de peso e um organismo saudável não são conquistados às pressas. Ao contrário, são fruto de hábitos saudáveis, uma rotina alimentar equilibrada e prática de atividade física regular.

Quanto mais tempo mantivermos essa rotina, melhores serão os resultados, explica o Dr. Daniel Lerario, médico endocrinologista, mestre e doutor pela Escola Paulista de Medicina.


“Nunca é tarde para começar e os resultados rapidamente aparecem. Mas não existem milagres”.


Atualmente, diversas estratégias incluindo, inclusive, medicamentos, auxiliam a perda de peso de maneira bastante segura e eficaz. No entanto, é preciso ter cautela e seguir a orientação médica, pois assim como qualquer medicamento, há contraindicações e efeitos colaterais que precisam ser observados para que, eventualmente, o tratamento seja alterado ou até mesmo interrompido.


“Perder peso é de fato desafiador e os ideais de beleza atuais são incompatíveis para boa parte das pessoas. Um dos segredos de sucesso é montar uma estratégia racional, definindo metas realistas e viáveis, que permitirão um emagrecimento consistente e sustentável. Dietas da moda acabam tendo um efeito negativo, porque têm pouca ou nenhuma fundamentação científica e muitas vezes induzem a resultados efêmeros, o que provoca frustração”, explica o Dr. Daniel.


Por conta desta dificuldade e sem orientação profissional, muitas pessoas acabam inclusive se automedicando, colocando a saúde em risco.


“Faz parte da natureza do ser humano e é compreensível que as pessoas queiram soluções rápidas para suas questões de saúde e/ou estéticas. Por outro lado, é importante ponderar os riscos e buscar, sempre, os caminhos mais seguros e sérios para a perda de peso desejada.”


Principais riscos em dietas ou restrições alimentares


Um plano de emagrecimento extremamente desconfortável, com restrições exageradas, pode trazer fadiga, irritabilidade, mal-estar e desnutrição.


“A dificuldade em manter planos assim por muito tempo, faz com que a eventual perda de peso conquistada não seja consistente e duradoura, gerando sofrimento e frustração. É muito mais sensato seguir um plano dietético no qual a pessoa se sinta bem e que possa ser sustentável. Isso pode envolver tanto ajustes de hábitos de vida, quanto o uso de medicações, que ajudam no controle alimentar para aqueles que têm tal indicação”, explica.


De acordo com o especialista, portanto, não há uma fórmula ideal que se ajuste a todos aqueles que desejam perder peso. A melhor estratégia será aquela na qual a pessoa se sinta bem e obtenha resultados duradouros.


Medicamentos para emagrecer


Em alguns casos, podem ser receitados medicamentos para complementar o tratamento. Hoje, estão disponíveis no Brasil diferentes classes, todas seguras e com diferentes mecanismos de ação.


Somente um médico especialista, conhecendo o paciente e após a realização de exames que possam ser necessários, poderá orientar sobre quais as melhores opções para cada caso.


Há quatro principais classes de medicações auxiliares para emagrecer:


- inibidores da absorção de gordura: reduzem a absorção de calorias, porque parte do que se come na forma de gordura passa a ser eliminado nas fezes. Podem, no entanto, provocar diarreia.


- medicações inibidoras de apetite: provocam um aumento de neurotransmissores cerebrais (serotonina, noradrenalina, dopamina e outros), que levam a uma redução da fome e/ou da vontade de consumir alimentos mais calóricos, como doces. Tais medicações podem também ter algum efeito benéfico sobre o metabolismo.


- medicações anticompulsão alimentar: utilizadas nas áreas de psiquiatria e neurologia, para a redução da ansiedade e compulsividade pela comida.


- medicações de ação periférica: substâncias descobertas a partir de estudos com pessoas submetidas à cirurgia bariátrica. Auxiliam a perda de peso, sobretudo porque lentificam a digestão, permitindo a saciedade com menos quantidade de comida.



“Independentemente de agir no sistema nervoso central ou no sistema digestório, o principal mecanismo das medicações antiobesidade é a modulação da vontade de comer, ou seja, reduzem a fome ou aumentam a saciedade. Isso ajuda demais na aderência a um plano alimentar hipocalórico e costuma resultar em perda de peso mais consistente do que a observada apenas por intervenções comportamentais”, revela o Dr. Daniel.


Indicações e segurança


Muitos dos medicamentos prescritos hoje para a perda de peso foram desenvolvidos originalmente para o tratamento de outras questões, sobretudo o diabetes. Mesmo utilizados fora do objetivo descrito originalmente na bula, o uso para a perda de peso é seguro mesmo por aqueles que não têm diabetes. Ainda assim, nem sempre o tratamento ocorre como esperado. Em caso de reações adversas, o médico deverá sempre ser consultado.


“Devemos ter cautela no uso dos medicamentos, pois a sensibilidade e resposta medicamentosa são muito individuais e podem estar relacionadas a componentes genéticos. Apenas testando o remédio no paciente saberemos qual será a dose ideal. Alguns efeitos colaterais são esperados e toleráveis e se resolvem naturalmente com o tempo de uso da medicação”.


Medicações que agem no sistema nervoso central podem ter uso limitado para pessoas com questões psiquiátricas ou cardiovasculares e precisam ser avaliados caso a caso pelo médico.

Já aqueles que agem no sistema digestório, podem ser contraindicados para aqueles com problemas digestivos mais sérios.


Assim, remédios para emagrecer devem sempre ser usados com indicação e acompanhamento médico. O uso inadequado pode trazer inúmeras consequências e colocar em risco a saúde do paciente.


Sucesso do emagrecimento


O medicamento não é o ator principal do tratamento para emagrecer, mas um adjuvante. Ajustes comportamentais, tanto dietéticos quanto de atividade física, são o ponto mais relevante para o sucesso do tratamento, orienta o Dr. Daniel.


“Quem aprende novos hábitos e passa a conhecer melhor os fatores que propiciam o controle do peso corporal, terá melhor prognóstico para a manutenção do resultado obtido.”


As consultas regulares ao médico para acompanhamento do processo de emagrecimento também são importantes.


“Estudos mostram resultados bem claros de que pessoas que têm controle médico durante o processo de perda de peso apresentam melhores resultados e menor taxa de recidivas.”


Nestas consultas, serão revistas as estratégias comportamentais e/ou medicamentosas, uma vez que a aderência ao tratamento pode se perder com o tempo.


“Nas consultas, temos também a oportunidade de, através de dados clínicos e exames, avaliar os benefícios que a perda de peso vem trazendo ao paciente, como redução de hipertensão arterial, apneia do sono, gordura no fígado, entre outros”.


Como evitar o efeito sanfona?


Toda pessoa que emagrece pode recuperar peso, especialmente quando há uso de algum medicamento neste processo. Talvez este seja um dos maiores desafios para boa parte das pessoas que emagrecem de modo satisfatório. Para a manutenção do resultado, é fundamental que haja mudança comportamental.


Uma vez atingido o peso ideal, levando em consideração o contexto de cada pessoa, podemos montar uma estratégia de retirada da medicação e a otimização de medidas de gerenciamento do peso a longo prazo.


“À semelhança de hipertensão arterial ou diabetes, a obesidade é atualmente considerada uma doença crônica, podendo-se assumir a continuidade dos medicamentos antiobesidade a longo prazo, a depender da segurança e eficácia dos mesmos para aquele paciente.”


Para auxiliar a manutenção do peso conquistado após o emagrecimento, o Dr. Daniel dá algumas dicas. Confira:


- manter o hábito de se pesar e monitorar os hábitos de vida

- ser proativo em relação a qualquer aumento de peso

- identificar os alimentos gatilho que desencadeiam descontroles alimentares

- manter atividade física regular

- buscar ajuda profissional de modo precoce

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