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26 de junho: Dia Nacional do Diabetes


Mais de meio bilhão de pessoas vivem com diabetes no mundo.


No Brasil, já são quase 17 milhões de adultos.


Segundo estudo do Lancet, estes números podem dobrar nos próximos 30 anos, se nada for feito



O Diabetes mellitus é um grupo de doenças que afeta a forma como o organismo metaboliza o açúcar no sangue (glicose). A glicose é vital para a saúde sendo uma importante fonte de energia para as células que compõem músculos e tecidos. É, também, a principal fonte de combustível para o cérebro.


De acordo com o Dr. Daniel Lerario, clínico geral e endocrinologista, a causa do diabetes varia de acordo com o tipo, e entre os diferentes tipos de diabetes, há os crônicos e os reversíveis. As condições crônicas incluem os pacientes tipo 1 e tipo 2. Já os reversíveis são aqueles diagnosticados com pré-diabetes ou as mulheres com diabetes gestacional.


“Os sintomas do diabetes variam dependendo do quanto esta condição vem elevando as taxas de açúcar no sangue. Por este motivo, em alguns casos, especialmente no pré-diabetes ou diabetes tipo 2, podem não haver sintomas. No diabetes tipo 1, os sintomas tendem a aparecer rapidamente e ser mais graves”.


Quando há sintomas, os principais são sede excessiva, micção frequente, fome extrema, perda de peso inexplicável, presença de cetonas na urina, fadiga, irritabilidade, visão embaçada, feridas de cicatrização lenta, infecções frequentes nas gengivas, na pele ou vaginais. Em caso de suspeita, é importante procurar um médico para avaliação.


Números do diabetes podem dobrar em 30 anos


Mais de meio bilhão de pessoas vivem com diabetes em todo o mundo, afetando homens, mulheres e crianças de todas as idades em todos os países. A projeção é que esse número mais que dobre, para 1,3 bilhão de pessoas nos próximos 30 anos em todos os países, conforme publicado no The Lancet na última semana.


Os cálculos mais recentes e abrangentes mostram que a taxa de prevalência global atual é de 6,1%, tornando o diabetes uma das 10 principais causas de morte e incapacidade. A taxa mais alta é de 9,3% no Norte da África e Oriente Médio. Esse número deve saltar para 16,8% até 2050. Na América Latina e Caribe, os números devem aumentar para 11,3%.


No estudo, o diabetes foi especialmente evidente em pessoas com 65 anos ou mais e registrou prevalência de mais de 20% para esse grupo demográfico em todo o mundo. A taxa mais alta foi de 24,4% entre 75 e 79 anos. O Norte da África e o Oriente Médio tiveram as taxas mais altas também nesta faixa etária, 39,4%, enquanto Europa Central, Europa Oriental e Ásia Central tiveram a menor taxa: 19,8%.


Quase todos os casos globais (96%) são de diabetes tipo 2, assim como os 16 fatores de risco estudados estão associados ao DM2. O alto índice de massa corporal (IMC) foi o principal risco para DM2 – respondendo por 52,2% – seguido por riscos alimentares, riscos ambientais/ ocupacionais, uso de tabaco, baixa atividade física e uso de álcool.


Embora o diabetes tipo 2 esteja associado à obesidade, falta de exercício e dieta inadequada, a prevenção e controle da doença são ainda mais complexos que o controle destes fatores de risco, pois também dependem de fatores genéticos e barreiras logísticas, sociais e financeiras dentro do sistema estrutural de um país, especialmente em países de baixa e média renda, aponta o estudo.


Essas desigualdades afetam o acesso das pessoas ao diagnóstico, tratamento e disponibilidade de serviços de saúde, impactando diretamente na incidência de diabetes nas populações.


Diagnóstico e tratamento


“Quanto mais cedo esta condição for diagnosticada e o tratamento iniciado, antes você terá a sua saúde restabelecida e menores serão os danos ao organismo e as chances de complicações”, explica o Dr. Daniel.


O diagnóstico do diabetes é realizado por meio de exames de sangue, que medem os índices glicêmicos do organismo.


Se confirmado o diagnóstico, é importante que o acompanhamento seja realizado periodicamente, conforme orientação do médico.


O tratamento do diabetes é feito com o controle da hiperglicemia por meio de alimentação balanceada, manutenção do peso corporal e hábitos de vida saudáveis. Em alguns casos, o médico poderá prescrever medicamentos para o controle do diabetes.


A importância do controle


Muitos casos de diabetes podem ser resolvidos ou controlados com simples mudanças na rotina. Isso porque quanto mais tecido adiposo, mais resistentes as células se tornam à insulina. Da mesma forma, quanto menos ativo você for, maior será o seu risco, explica o especialista.


“Por este motivo, uma das principais orientações ao paciente com diabetes é a realização de atividade física regular. Incluir o exercício físico na rotina ajuda a controlar o peso, utiliza a glicose como energia e torna as células mais sensíveis à insulina.”


Assim, é importante manter o acompanhamento médico, realizar exames e seguir as orientações. Caso contrário, mesmo sem sintomas, a doença pode trazer diversas repercussões para a saúde.


“As complicações em longo prazo do diabetes desenvolvem-se gradualmente. Quanto mais tempo você estiver com diabetes e quanto menos controlado, maior o risco de complicações. Eventualmente, as complicações do diabetes podem ser incapacitantes ou até mesmo fatais”, alerta o Dr. Daniel.


As complicações do diabetes podem levar a doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), danos nos rins (nefropatia), levando à insuficiência renal ou doença renal irreversível, lesões oculares (retinopatia), levando à cegueira, catarata ou glaucoma, deficiência auditiva, aumento do risco de demência, como a doença de Alzheimer, depressão e muitas outras.


Por este motivo, o princípio de tudo é procurar uma vida mais saudável, com uma alimentação balanceada e a prática regular de atividade física. Além disso, realizar exames preventivos regularmente, conforme a indicação de um médico especialista.


Nova Diretriz da OMS e o diabetes


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou recentemente uma nova diretriz com orientações sobre o uso de adoçantes sem açúcar por pessoas que buscam a redução de peso.


As orientações são baseadas em estudos relacionados à dieta de adultos e crianças, e reavalia os níveis seguros ou máximos de ingestão de adoçantes sem açúcar, incluindo aspartame, sacarina, sucralose, stevia e derivados estabelecidos pela Organização e outros órgãos competentes.


O novo debate deve impulsionar o desenvolvimento e implementação de políticas e programas de nutrição e saúde pública, reavaliando as recomendações sobre o uso destas substâncias pela população em geral.


No entanto, em casos específicos, como para pessoas com diabetes, o seu uso segue indicado. Para estes casos, é importante sempre buscar orientação profissional antes de realizar qualquer alteração na dieta.


Os principais tipos de diabetes


- Diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1 pode se desenvolver em qualquer idade, embora muitas vezes apareça durante a infância ou adolescência. A causa do diabetes tipo 1 ainda é desconhecida, mas já se sabe que há uma questão ligada ao sistema imunológico, que normalmente combate bactérias ou vírus nocivos, e que passa a atacar e destruir as células produtoras de insulina no pâncreas. Por este motivo, com pouca ou nenhuma insulina, o açúcar passa a se acumular na corrente sanguínea.

- Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 é o mais comum e representa cerca de 90% dos casos diagnosticados. Embora possa se desenvolver em qualquer idade, é mais comum após os 40 anos.

No diabetes tipo 2, as células se tornam resistentes à ação da insulina e o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para superar essa resistência. Em vez de se mover para as células em busca de energia, o açúcar passa a se acumular na corrente sanguínea. Acredita-se que fatores genéticos e ambientais desempenhem um papel importante no desenvolvimento do diabetes tipo 2.

- Diabetes gestacional

O diabetes gestacional (DG) ocorre durante a gravidez e pode desaparecer após o nascimento do bebê. Algumas alterações hormonais nesse período podem diminuir a ação da insulina no organismo. Esse desequilíbrio pode causar o DG. O DG pode ser assintomático, por isso é importante que as gestantes fiquem de olho em sua saúde e realizem o pré-natal adequadamente. Quando diagnosticado, é fundamental ter um controle médico rigoroso para o adequado desenvolvimento do feto.

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